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ASSOCIAÇÃO DOS DOCENTES DA UNISINOS
ADUNISINOS
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30 Anos de História
Beatriz Sallet
             Trinta anos de trajetória se escrevem com muita luta e negociação, muito confronto (por que não?) e muita vontade de transformar a trajetória acadêmica. Em prol dos professores e em prol dos próprios alunos.

O São Leopoldo que testemu­nhou o movimento pelos diques do Rio dos Sinos foi cenário, na mesma época, do surgimento de um corpo docente cada vez mais atuante, postulante de conquistas permanentes na área da educação. Era o' final dos anos 70, o final de um sombrio período de ditadura militar, era o final de uma era. E a Adunisinos e seus muitos colabo­radores protagonizaram esse prin­cípio de era.

O Brasil ainda não conhecia a anistia. A Unisinos ainda não co­nhecia em sua plenitude o movi­mento grevista. E muitos foram os episódios históricos, como a greve de quatro meses seguidos, os con­frontos de idéias com os jesuítas, a mediação dos conflitos ao longo dos anos e a intermitente nego­ciação por melhores condições de trabalho.

Conflitos remotos e conflitos atuais. Afinal, as demissões de professores com amplo co­nhecimento forjado no estudo acadêmico e no trabalho em sala de aula arrastou-se pe­los últimos anos. Ainda é um questionamento sem respos­tas plausíveis. Por que tantos foram embora? Pela simples lógica de mercado, como sus­cita o depoimento do profes­sor Sérgio Trombetta? Por que esse destino para quem aju­dou, com o prestígio pessoal, a solucionar crises da Unisinos junto a bancos e governos, co­mo relembra o professor Mark Kuschick?

São muitas as indagações ainda latentes. Em 30 anos não se celebra apenas vitórias. São numerosos os desafios. E tam­bém as lições de quem estiveram à frente de uma Associação que nasceu num momento de indu­bitável luta pela democracia e pela oportunidade de debater. São esses antigos presidentes da Adunisinos que, à luz da cele­bração deste aniversário, recor­dam aqui suas contribuições à história da instituição.

A seguir, confira as recordações de João Acir Verle, Heinrich Krause, Ângelo DaI Cin, Luiz Carlos Thomas, Benno Dischinger e Rômulo Escouto, além de Mark Kuschick e Sérgio Trombetta, destes 30 anos de ação e refle­xão dentro da Adunisinos. A professora Maria Amália Dias de Morais (primeira presiden­te e única mulher a presidir a Adunisinos) foi procurada, mas não teve disponibilidade de ho­rário para conceder entrevista ao Jornal da Adunisinos. O pro­fessor Oscar da Rosa, também ex-presidente da entidade, que reside em Santa Catarina, foi procurado por telefone várias vezes, sem sucesso.

   Benno Dischinger

"A Unisinos foi muito prejudicada economicamente por falsos administradores. Agora é que a instituição possui o controle de todos os gastos",

 

                        Difusão das idéias de coletividade e união nos diversos Centros

 

Aos 78 anos, o professor Benno Dischinger está aposentado pela Unisinos desde 2004. Porém, seguidamente é encontrado circulando pelos corredores da Universidade onde, além de trabalhar como tradutor e intérprete, faz musculação e pilates para ficar em forma. Com formação em Filosofia e Teologia, e especialista em línguas (fala inglês, francês, alemão, espanhol e latim, além de saber um pouco de japonês e ter noções de holandês e grego), Benno iniciou na Unisinos na antiga escola Cristo Rei, há 41 anos.

A lembrança sobre o período em que presidiu a Associação dos Docentes da Unisinos de imediato lhe remete ao colega professor Romeu Pitsh: "A Adunisinos surgiu em grande par­te por iniciativa do professor Romeu Pitsh. A idéia de termos uma Associação foi muito positiva. Na época, éramos poucos, mas todos os centros estavam bem representados. O Centro 5 (Ciências Econômicas) era muito ativo, o 6 e o 7 também. Lembro-me que o Centro 4 criou sua própria associação, e os demais centros não tinham muita representação na entidade. Como presidente, eu circulava por todos os centros visitando os professores, difundindo a idéia de coletividade e união ... precisávamos mantê-Ios agregados e bem informados. Lem­bro-me do João Verle, com seu jeito cativante. Foi ele quem me fez participar",

"Lembro-me de um tempo em que fizemos urna paralisa­ção parcial no segundo período. Como eu era representante da Adunisinos, a Unisinos me chamou para conversar. Eu era uma espécie de intermediário naquela época. A Unisinos cres­ceu muito, houve situações de confronto com os alunos, com invasões na reitoria, o DCE com suas manifestações... Lembro-me que eu intermediava as tratativas entre a instituição e os professores. Levava propostas ao Padre Marobin e as trazia de volta aos professores.

Houve uma greve que durou quatro meses. Terminamos o segundo semestre em meados de abril (do ano seguinte). Foi urna greve geral, em que se parou mesmo. Ali conseguimos adesões à Adunisinos. Iniciamos a briga para poder receber nossos salários por quinzena, em função da inflação. Naque­la época não havia triênio nem qüinqüênio. Minha recordação positiva disso tudo é o esforço para corresponder às necessi­dades dos professores e dos alunos. Recordo-me do Sinepe, com seus rígidos membros, e do Sinpro/RS, sempre parceiro. Também de nossa participação na Andes (Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior), hoje sindicato, e de nossas viagens para participar de congressos nacionais.


Mark Ramos Kuschick

 Dois mandatos e a maior greve da história da Unisinos.

Mark Ramos Kuschick foi profes­sor do curso de Ciências Econômicas da Unisinos durante 26 anos, tendo passado pela chefia de Departa­mento e coordenação de seu curso e assumido como presidente da Adu­nisinos por dois mandatos, entre os anos de 1987/1989 e 1989/199l. Professor da Universidade até julho de 2003 foi demitido quando retor­nava de um período de licença da docência, sob a alegação de que não haveria mais turmas para lecionar, pois essas tinham sido destinadas aos colegas doutores, além da mudança de orientação do Centro 5. E há 22 anos Auditor Público Externo do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul.

"Antes de assumirmos a direção da Adunisinos disputamos uma eleição e fomos derrotados pelos colegas liderados pelo professor Thomas, Sergio Lopes e outros. Eles conduziram a Associação e antes de terminar seu período re­nunciaram, por motivos que não recordo. Houve convocação de nova eleição, nos apresentamos e fomos eleitos. "Lembro que con­duzimos a maior greve de profes­sores da Unisinos, a qual durou 90 dias, de 20/08/90 a 14/11/90, e comprometeu o semestre. Foram 15 assembléias e 15 reuniões de ne­gociação, com adesão da maioria dos professores que suportaram 69 dias sem salário. Decidimos pela greve, pois os salários estavam muito deteriorados e a Instituição demonstrava pouca sensibilidade em dialogar e negociar reposições adequadas.

A nossa diretoria trabalhou muito unida e contou com a ines­timável colaboração de todos. Recordo os colegas como o Mon­tini, o Ângelo, o Victor, o Renato, o Krause, o Solon (os professores Luiz Afonso Montini, atual pre­sidente da Adunisinos; Ângelo DaI Cin, sócio fundador e ex-presidente da Adunisinos; Victor Becker, em memória, sócio fun­dador e membro de diretorias da Adunisinos; Heinrich Hans Chris­toph Krause, ex-presidente da entidade; e Solon Annes Viola, atual professor integrante do PPG de História da Unisinos), o professor Renato Gonçalves, então professor de Direito da Unisinos e advogado trabalhista. “A greve foi importante porque o professorado conseguiu recolocar a idéia de que a atividade fim da Unisinos era prestar serviço à Educação, através do trabalho de docência e pesquisa”.

Naquela época, a Unisinos esta­va priorizando outras atividades, tinha abandonado o foco na docên­cia, já pagava remunerações des­cabidas a duvidosos executivos de atividade meio, e oferecia salários reais rebaixados a seus professo­res. A negociação foi dura, longa e muito discutida. Tínhamos na Adunisinos o informativo, nosso meio de comunicação impresso, no qual informávamos a categoria sobre as negociações. Os professo­res reacionários, adesistas, patro­nais, foram neutralizados, calados, pela característica agregadora que a nossa diretoria tinha e pela ver­dade que o movimento represen­tava. Conseguimos a recuperação da massa salarial, da auto-estima dos professores, e sedimentamos o caminho para uma melhor e res­peitosa relação entre reitoria e o movimento docente, o que opor­tunizou a paz interna e a constru­ção das condições para melhores acordos salariais. Todos nos enten­demos também com os estudantes que compreenderam e aprovaram o movimento docente, e apesar dos cento e poucos dias de paralisação, os casos de evidente prejuízo foram bem absorvidos. Esta greve ficou como uma referên­cia no movimento docente-sindical, tanto pela sua duração, como pelos resultados positivos, e ausência de de­missões vingativas, retaliatórias, que costumavam acompanhar os movi­mentos paredistas em outras institui­ções. Creio que nenhuma outra greve em instituição brasileira particular teve tanta repercussão como esta.

A Adunisinos sempre foi compro­missada com a defesa dos direitos dos professores e, quando, nos momentos mais agudos das crises, foi consul­tada, jamais deixou de dialogar e de oferecer alternativas para a melhoria da gestão da instituição. Lembro-me de deficiências na administração da Universidade. Recordo que em meu Centro (de Ciências Econômicas) ha­via um bom nível de ensino, apesar de nas disciplinas básicas dos cursos termos em média 50 alunos por tur­ma, o que transformava o Centro num trem-pagador. As instalações eram simples e dignas, e recordo que havia camaradagem entre os colegas. Lem­bro também que por parte da institui­ção ainda nem sequer havia interesse em fomentar o doutoramento docen­te. O curso de Economia era o terceiro em importância, depois do de Administração e do de Ciências Contábeis. Éramos todos professores horistas, chamados de biquistas no movimen­to sindical. Não havia professores de tempo integral na área de Economia, nem nas demais, havia administra­dores, contadores e economistas que ministravam aulas noturnas. “Muitos de nós ajudamos a encontrar soluções para as crises da Unisinos junto a bancos e governos, muitas vezes através de nossos prestígios pessoais”.



Sergio Trombetta

"Chegamos uma época não muito favorável ao coletivo"

A riqueza do aprendizado forjado no debate          

Presidente da Associação dos Docentes da Unisinos entre os anos de 2002 e 2004, o professor Sergio Trombetta, da área de Filosofia da Universidade, reporta-se ao perío­do em que iniciou seu engajamento junto a movimentos como a Pasto­ral da Juventude para falar sobre a relação com a Adunisinos.

"Minha experiência como presi­dente da entidade Adunisinos foi um grande desafio. Cheguei em 1998 e já fui convidado para ingres­sar como presidente da Adunisi­nos. Fui trabalhando para aprender a contribuir com a entidade, me preparando para dar conta de res­ponder por um lugar onde haveria outras pessoas muito qualificadas para estar, mas que nunca aceitaram presidir a entidade, se envolver com a Associação. Tivemos grandes líderes que hoje estão na política.

Fui presidente num dos mo­mentos mais difíceis da Unisinos. Foi um início de gestão com cortes fortes de professores, muitos deles amigos, que faziam parte de nos­so cotidiano. Tentamos interferir, porém limitados em nossa capaci­dade de interferência na estrutura. Minha experiência esteve marca­da por amizades com colegas com vasta experiência. Recebi também cobranças duras de pessoas que não davam contribuições nem suges­tões. Sinto muito por termos pro­fessores que criticam, mas que estão fechados para atuar afetivamente pelo coletivo. Estão fechados numa cultura imediatista.

Pegamos uma época não muito favorável ao coletivo. Foi um tem­po difícil, de enfraquecimento de associações de luta pelos coletivos, dos associativismos e dos sindica­tos de maneira geral. Hoje o clima bem melhor, é de tranqüilidade. Estamos vendo que a crise e a turbulência passaram. O importante é que nunca nos omitimos. Podemos ter falhado talvez por nossas limitações, mas jamais por omissão. Como representantes da categoria docente, defendemos os interesses dos mesmos. Estivemos em audiências com a reitoria em plenas férias, num trabalho voluntario pelo coletivo, pleno cenário que apontava a lógica do mercado.

            Ficamos marcados pela riqueza do aprendizado dos debates. Herdei como incumbência sempre buscar alguém disposto a dar sua contribuição. Penso que a cidadania do professor é a cultura da coletividade. Se na academia temos esta dificuldade na participação da Associação dos Docentes, imaginem fora dela. Estamos, na discussão política, presenciando a dificuldade em praticar, interferir e em mudar a realidade, presos as analises, as ações ficam de lado”.




Luiz Carlos Thomas

O ex-jesuíta que comandou greve nos anos 80

O professor Luiz Carlos Thomas teve um período curto na presidência da Adunisinos, entre os anos de 1986 e 1987. Segundo ele, em meados de 1987, resolveu renunciar do cargo de presidente porque precisava terminar a dissertação de mestrado, "ainda que tenha corrido um boato na Universi­dade de que eu estaria saindo da Adunisinos porque eu havia recebido uma bolsa da Uni sinos para terminar com a greve", conforme conta Thomas.

A história desta passagem aparente­mente curta pela Adunisinos é conta­da pelo próprio Tomas: "Nunca houve duas chapas para concorrer à direção da Adunisinos e a linha ideológica da entidade estava caminhando para o confronto com a Unisinos. Eu, como ex-jesuíta, tinha o espírito inaciano. Ainda que eu tenha saído em 1971 da ordem jesuítica, continuei com o espí­rito. Fui para o novo campus e já iniciei lecionando com 12 turmas. Na época explodia o número de alunos. Fize­mos, então, uma chapa para concorrer com aquele espírito de confronto da Adunisinos. Queríamos urna maneira de dirigir. a entidade que dialogasse com a Reitora. O fato de ter havido urna segunda chapa significou a exis­tência de duas propostas.

Em outubro de 1986 presidi a primeira greve na Universidade. Os sa­lários estavam defasados e os profes­sores, insatisfeitos. Muitos acabaram saindo para outras universidades. Procurei reativar o conselho de representantes por departamentos para convocar Assembléia Geral e eles decidiram pela greve. Eu coordenei esse movimento. Durante a greve, um padre jesuíta veio me visitar em casa para pedir que eu terminasse com a greve. Tive que dizer ao jesu­íta, com quem eu tinha urna grande afinidade, que eu não era o dono da greve. Foi urna época de negocia­ção dura. Procurei colocar o Mark, o Montini, o Renato na negociação. Chegou um ponto da greve em que senti que tínhamos esticado demais a corda. Achei que era hora de ter­minar. Mas o grupo de professores que tinha urna linha mais radical queria continuar. Lembro-me de um protesto silencioso por parte do grupo. Depois que eu saí, teve ain­da outra greve" .


Heinrich Hans Christoph Krause

 O professor-negociador  na época de greve

Heinrich Krause iniciou corno professor em 1976 na Unisinos, atu­ando na área de Línguas. Em 2000, aposentou-se, pois já tinha tempo de serviço em outras instituições, corno o Sino dai e o Colégio Rio Branco. Ainda assim, continuou o trabalho docente na Unisinos até 2004. Foi dispensado da Unisinos em 2004 por falta de turmas, porém voltou para ser paraninfo e homenageado pelos alunos formandos.

"No início eu tinha receio de par­ticipar. Não dispensava os alunos por achar que eles tinham direito a ter aulas, então eu ia nessa linha. Lá no fim dos anos 80, início dos anos 90, comecei a participar. Fui convi­dado a fazer parte da diretoria. O pessoal da Adunisinos nesta época, o Mark, o Solon, o Vitor Becker e o Renato Machado me convidaram pelo meu jeito de conversar. Digo as coisas sem agredir. Então, entrei como secretario e na semana seguinte iniciou-se uma greve de 84 dias.Até quem estava em cima do muro saiu de cima. Negociávamos com a reitoria. Até quem trabalhava muito achava tempo para fazer mais. Nos reuníamos na vasa do Vitor Becker ou em Porto Alegre para redigirmos documentos. Não tínhamos hora para chegar em casa.

            Como eu era diplomático, era eu o negociador. Fui presidente em 1992 e participei da gestão do Mark sem ser da diretoria, mas sendo negociador. Para min, a época do Mark foi a mais marcante. Trabalhávamos muito. Reuníamos-nos até na madrugada para fazer a coisas. Acho que colaborei mais do que quando fui presidente da Adunisinos não nos mobilizamos tanto quanto nesta época da greve.

            Logo depois fui vereador do PT em São Leopoldo. Lembro-me que minha combinação com o PT era de que a política partidária não interferisse em minha relação com a Adunisinos. Sempre achei que não se pode misturar as coisas”.



Luiz Afonso Montini

 Uma vida dedicada ao coletivo dos docentes

Atual presidente da Adunisinos, o professor de Engenharia da Unisinos Luiz Afonso Montiní e sócio fundador da entidade e esteve sempre muito presente nas diretorias ao longo destes 30 anos. Ainda que tenha participado da entidade constante­mente, é a primeira vez que a preside.

"Sempre participei, tanto da Associação dos Docentes quan­to do Sinpro/RS, mas os colegas professores me conhecem mais em função do Sinpro, onde sou da diretoria colegiada há mui­tos anos", afirma Montini. Ele é encontrado seguidamente cir­culando pelas salas dos professores em todas as áreas de ensino da Unisinos, seja carregando fichas de adesão ao Sinpro/RS ou à Adunisinos, e sempre com as últimas informações a respeito da carreira docente.

Em função desse seu trânsito entre as diretorias da Adunisi­nos, Montini é um dos professores que mais histórias têm para contar a respeito da entidade. Ele sabe, por exemplo, na ponta da língua, enumerar todos os professores que compuseram ao longo da história as sucessivas diretorias da entidade. E ainda que tenha muitas recordações sobre as negociações e acordos com a Unisinos ao longo desses anos prefere destacar duas situações especiais vivenciadas: a maior greve de professores na história da Unisinos, que durou de agosto a novembro de 1989, e a recente negociação, ocorrida entre a Universidade, Sinpro/RS e Adunisinos, em 2006, para reabilitar Plano de Carreira Docente da Unisinos, o qual esta­va congelado desde 2004. Aqui, especificamente, ele recorda a greve.

"A greve ocorrida da primeira semana de agos­to (início das aulas) até o final de outubro de 1989 - de aproximadamente noventa dias - fez com que aquele semestre terminasse somente no final de fevereiro. Era um período de congelamento das men­ men­salidades e salários, e não houve acordo com o sindi­cato patronal sobre o dis­sídio coletivo no primeiro semestre. Então, iniciamos o segundo semestre do ano e já na primeira sema­na entramos em greve. A mobilização era grande entre os pro­fessores e conseguimos parar toda a Universidade por quase a totalidade dos 90 dias.

No início, alguns professores contrários à greve tentaram dar aulas, mas não tiveram condições porque fizemos piquete na saída dos ônibus da Central em Porto Alegre, comunicando aos alunos que os professores estavam em greve e que não haveria aulas. Lembro-me de uma professora do Centro de Ciências Humanas que vinha de ônibus e insistia que as aulas continua­vam normais e quem não fosse levaria falta. Só ela ficou dentro do ônibus.

Em cada Assembléia, elaborávamos uma proposta para a reunião de negociação com a Reitoria. Foram inúmeras reuni­ões. Num dado momento, a Reitoria suspendeu o pagamento dos salários. Mesmo assim, a maioria dos professores optou por continuar a paralisação e não abandonar a luta, que naque­le momento era uma questão de honra. E, para que os colegas pudessem se manter do ponto de vista financeiro, a Adunisinos realizou empréstimos através de vales; alguns colegas empres­taram dinheiro, inclusive fizemos um pedágio de solidariedade com faixas no centro de Porto Alegre para arrecadar dinheiro para os mais necessitados.

Com a volta do pagamento dos salários, reiniciaram-se as ne­gociações.

Por fim, conseguimos a reposição salarial e o calen­dário escolar estendido até o início de março de 1990".

 

Rômulo Escouto

"A Adunisinos lutou como pôde num momento de pouco lugar para a mobilização da categoria"

A reconquista do Plano de Carreira Docente

Professor de Direito da Unisinos, advoga­do trabalhista, Rômulo Escouto é membro da Adunisinos desde que ingressou na Uni­versidade, em 1988. Entre os anos de 2006 a 2008, presidiu a entidade.

"No período em que estive à frente da As­sociação dos Docentes da Unisinos pudemos estreitar nossas relações com o Sindicato dos Professores Particulares do Rio Grande do Sul (Sinpro), principalmente em função da luta retomada em conjunto pelo Plano de Carreira Docente, o qual estava congelado desde 2004. Foi uma importante conquista da categoria essa reedição do Plano de Car­reira.

Outro fato interessante desse período foi nosso enfrentamento frente às demissões e à própria reorganização da Universidade. A Adunisinos sempre foi contra as demissões e lutou como pôde num momento de pouco lugar para a mobilização da categoria.

            Temos que destacar também nesse período a conquista do espaço físico nobre da Aduni­sinos junto à Unisinos. A sede da Associação hoje se encontra bem destacada visualmente na Universidade, pois praticamente todos passam por este corredor central" .


Ângelo Adalvino Dal Cin

 Surgimento do jornal fomentou discussões na comunidade universitária

 Ângelo Adalvino DaI Cin, durante os seus 32 anos como docente na Unisinos, foi quatro vezes presidente da Adunisinos. A trajetória como militante da entidade e também como sindicalista por vários anos junto ao Sinpro/RS remonta a Santa Rosa, sua terra natal, onde, em 1968, em pleno AI-5, fundou o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. 

"O ingresso na Adunisinos representou uma continuidade desse trabalho da defesa dos trabalhadores", argumenta o professor. Ainda que tenha muitas histórias para contar devido ao tempo longo em que esteve comprometido com a Associação, DaI Cin destaca como um dos momentos mais importantes da história da entidade o surgimento do Jornal da Adunisinos, em 1994: "Criamos o jornal com o objetivo de fomentar a discus­são interna na comunidade universitária desta grande instituição de ensino. O jornal acabou por representar também junto ao Sinpro/RS a linha de defesa dos direitos dos professores" .

"A existência da Adunisinos está ligada ao período da saída da ditadura militar no, Brasil, ao mesmo tempo em que foi uma ten­tativa de organizar os trabalhadores após o enfraquecimento do projeto neoliberal glo­bal. Encontramos dificuldades para agrupar todos os centros da Universidade pela 'própria dispersão do espaço físico".

Outra situação que representa a luta da entidade é a questão da perda da estabilida­de por parte do trabalhador em função da criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), fato que deixou, segundo DaI Cin, o empregador livre para demitir e os empregados à mercê dos patrões. E nesse momento em que a Associação lutou para resgatar o processo de união dos trabalha­dores.

DaI Cin ressalta também a crítica que o Jornal da Adunisinos fez ao longo dos anos a respeito do planejamento estratégico da Unisinos: "O problema foi a falta de nossa participação nessa discussão", diz, lem­brando da resolução sobre o jubilamento. "Embora a intenção da reitoria fosse boa, é necessário lembrar que aquela resolução era inconstitucional. Felizmente foi revogada em 2008".

Associação dos Docentes da Unisinos - ADUNISINOS
Av. Unisinos 950, Cristo Rei, São Leopoldo/ RS, CEP: 9022-000
Contato (51) 35908500 Ramal 5500 - E-mail: adunisinos@adunisinos.org.br
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